5. COMPORTAMENTO 25.9.13

1. ALM DO PERDO
2. A FORA DAS PASTORAS
3. MORTES EM FAMLIA

1. ALM DO PERDO
Mulher estuprada na adolescncia pelo cineasta Roman Polanski conta a sua verso dos fatos e diz que ele no  um monstro
Ivan Claudio

Por 36 anos, a secretria Samantha Geimer foi sempre lembrada como the girl. Apesar de ter sido alvo de um dos maiores escndalos de Hollywood, seu nome no importava: para a imprensa, a Justia e as pessoas em geral, ela era sempre referida como a menina que o cineasta Roman Polanski violentou aos 13 anos de idade. Hoje casada e me de trs filhos, Samantha esperou trs dcadas e meia para recuperar o que chama de direito  identidade e, assim, poder contar a sua prpria histria.  como uma mulher madura e sensvel  complexidade da vida que acaba de lanar nos EUA o livro The Girl  A Life in The Shadow of Roman Polanski (A menina  uma vida  sombra de Roman Polanski). Escrito com o auxilio do seu advogado, Lawrence Silver, e da jornalista Judith Newman, o livro surpreende pelo fato de a autora, hoje com 50 anos, no posar como vtima, como era de esperar: ela admite ter ficado definitivamente marcada pelo episdio do estupro, mas que o seu violador no  o monstro como costuma ser pintado, tendo todo o direito de seguir sua vida.

CORAGEM -
 Samantha Geimer, hoje casada e me de trs filhos: ela e Polanski agora trocam e-mails

Numa passagem polmica, Samantha escreve: Se tivesse de escolher entre passar outra vez pelo estupro ou pelo processo judicial, escolheria o estupro. Na sua avaliao de adulta, a exposio pblica nos julgamentos  quando foi obrigada a reconstituir inmeras vezes os acontecimentos  e a perseguio da mdia nos anos seguintes foram-lhe mais perniciosas que a agresso sexual. Talvez por isso no se alongue nos detalhes do ato srdido. Lembra que Polanski usava botas e um perfume forte e que, a todo momento, se preocupava em saber se ela estava bem. No julguei aquilo uma violao porque no houve violncia, escreveu.

Samantha conheceu Polanski por intermdio de sua me, que era atriz. Ele buscava adolescentes para fazer um ensaio fotogrfico para a revista Vogue francesa e foi na sesso de fotos, na casa do ator Jack Nicholson, em Hollywood Hills, que o episdio sexual se consumou aps a garota ser obrigada a beber champanhe misturado a sedativos. No tribunal, antes de fugir para a Europa, o condenado Polanski alegou que tudo fora consentido. No foi, escreve Samantha. Dizendo-se tima e admitindo que troca e-mails com seu algoz (ele se desculpou em 2009 por t-la prejudicado tanto), Samantha revive o episdio segundo os valores da poca e diz que a vontade de ficar famosa tem a sua parcela de culpa no episdio. Pense nos meninos que dormiam com Michael Jackson. Pense nos seus pais. Eram maus, estpidos? Nada disso. Eles achavam que ficar famoso era bom.

"Nem todo mundo vai entender isso, mas eu nunca achei que Roman Polanski quisesse me magoar" - Samantha Geimer, no livro "The Girl"


2. A FORA DAS PASTORAS
As mulheres ganham espao nos altares evanglicos do Brasil, conquistando cada vez mais fiis para essas denominaes. Em algumas igrejas, quase metade do corpo pastoral  feminino
por Rodrigo Cardoso

O papa Francisco voltou a surpreender o mundo na quinta-feira 19, quando, durante longa entrevista, de 29 pginas, publicada no jornal jesuta italiano La Civilt Cattolica, no se furtou a falar sobre assuntos indigestos para a Igreja Catlica, como aborto, gays e o papel das mulheres.  necessrio ampliar os espaos para uma presena feminina mais incisiva na Igreja. O gnio feminino  necessrio nos locais onde se tomam decises importantes, afirmou, num discurso que,  primeira vista, pode soar progressista, mas continua to engessado quanto as colunas da Praa de So Pedro. Em seu comentrio, o pontfice enaltece o gnero, mas o coloca como apndice dos homens na estrutura da Santa Madre Igreja. Ou seja, nada mudou desde sua visita ao Rio de Janeiro, para a Jornada Mundial da Juventude, h dois meses, quando, na volta para o Vaticano, foi questionado por um jornalista durante o voo, sobre o direito das religiosas. Francisco, assim como fizeram seus antecessores, deixou claro que as mulheres so semelhantes aos homens  mas no iguais; so importantes para o crescimento do catolicismo  mas jamais iro atingir o status de sacerdotes. Sobre a ordenao das mulheres, a Igreja falou e disse: no! Esta porta est fechada, sentenciou. Enquanto a Igreja Catlica segue acorrentada a essa tradio milenar, o grupo dos evanglicos, aquele que mais cresce e faz frente aos catlicos no Pas, anda em sintonia com as mudanas em relao ao lugar das mulheres na sociedade. Transformaes essas que vm fazendo com que elas ocupem cada vez mais postos de liderana e atraiam milhares de fiis para os templos cristos.

O mais novo e fulgurante exemplo de liderana feminina religiosa  Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A jovem acaba de superar a marca de um milho de cpias vendidas de seu livro Casamento Blindado e faz sucesso na tev  frente do programa Escola do Amor, na Record, que apresenta junto com o marido, Renato. Entendemos que a liderana da mulher  uma necessidade da igreja e vai muito alm do ttulo ou cargo que ela exerce, afirma Cristiane. Temos pastoras consagradas no Brasil e ao redor do mundo. Quem abriu caminho para Cristiane e tantas outras foi Snia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. Apesar de Estevam Hernandes, seu marido, ter o ttulo de apstolo,  atribudo  bispa Snia o papel de protagonista.  ela quem arrebata multides na Marcha para Jesus e rene milhares de evanglicos nas ruas de So Paulo todos os anos. Sem o vis feminino que Snia trouxe  igreja, por certo a denominao no teria tido tanto avano como houve no Brasil, sobretudo em So Paulo, afirma Rogrio Rodrigues da Silva, pesquisador da Universidade de Braslia.

LIDERANA - Apresentadora da Rede Record, Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, da Universal do Reino de Deus, vendeu mais de um milho de exemplares de seu ltimo livro

Para a professora Sandra Duarte de Souza, de cincias sociais e religio da Universidade Metodista de So Paulo (Umesp), em muitas instituies religiosas as mulheres conseguem criar uma empatia muito mais slida com a comunidade do que os homens. Na Igreja Batista da Lagoinha, fundada em Belo Horizonte (MG), 44,6% do corpo pastoral  do sexo feminino  a cultuada cantora gospel Ana Paula Valado  uma delas. Entre os metodistas, as mulheres representam aproximadamente 30% dos pastores  a mesma porcentagem  verificada entre os presbteros da Igreja Anglicana. At mesmo uma das mais conservadoras denominaes pentecostais brasileiras, a Assembleia de Deus, tem aberto caminhos para as fiis ocuparem altos postos na sua hierarquia. No ms passado, a denominao permitiu pela primeira vez em sua histria que mulheres assumissem o cargo de evangelistas. Para essa posio, que permite, por exemplo, que a eleita dirija um templo, duas jovens foram consagradas no ministrio do Brs, em So Paulo. J no d mais para negar a importncia da mulher dentro das nossas igrejas, diz Samuel Ferreira, pastor da Assembleia. Eu no tenho o direito de negar a elas a prerrogativa de exercerem essa liderana. Especialistas no tema ouvidos por ISTO tm notado um aumento no nmero de ordenaes de mulheres, principalmente daquelas que estudam para atingir um alto posto na instituio. Ainda  bem maior o contingente de religiosas escaladas para tarefas como limpar e ornamentar a igreja, cozinhar e assessorar pastores em visitas externas. Mas v-las pregando em plpitos, batizando, realizando casamentos e celebrando a ceia so cenas vistas j com normalidade e frequncia em muitos templos.

PROTAGONISTA - O carisma, na Renascer em Cristo, est em poder da bispa Snia Hernandes: referncia para as fiis

Aos 48 anos, a gacha Margarida Ribeiro  reverenda da Igreja Metodista, que possui uma bispa entre as oito pessoas que ocupam esse posto no Brasil. Para tanto, ela encarou seis anos de preparao por meio de estudos teolgicos e experincias em comunidades. Hoje, em 27 anos de pastorado, j foi titular em 20 igrejas. Mas o incio no foi fcil. Quando pisava em alguma comunidade para pregar a palavra, Margarida ouvia o seguinte questionamento: Voc quem vai fazer o culto? Onde est o seu pai ou marido? Hoje, no entanto, conta com orgulho que, ao ser convidada a dirigir cultos em igrejas pentecostais que possuem dois plpitos,  frequentemente instada a pregar no principal, local costumeiramente ocupado por um homem. A reverenda, hoje, cuida da criao da primeira comunidade em Santa Isabel, interior de So Paulo. No Rio Grande do Sul, j esteve  frente de templos em zonas rurais, atuou na pastoral do agricultor, desenvolveu atividades sociais, ecumnicas e com mulheres, alm de ter supervisionado trabalhos de outros pastores.

Uma liderana feminina d credibilidade  igreja evanglica. Mulher no  vista como exploradora da f - Bispo Hermes C. Fernandes, da Igreja Reina

Para Margarida e outras lideranas femininas de origem protestante histrica, a ascenso dentro da hierarquia est muito atrelada  formao teolgica, o que facilita o acesso delas a posies de destaque.  o que aponta a professora Sandra, da Umesp. No universo pentecostal e neopentecostal, no entanto, fazer parte do corpo sacerdotal depende em muitos casos do apadrinhamento de personalidades da instituio. Recentemente, s para citar um exemplo, um ministrio da Assembleia de Deus consagrou compulsoriamente todas as mulheres de pastores presidentes no Brasil. Ordenar ou no mulheres no classifica uma igreja como mais ou menos patriarcal. Ter mais mulheres na hierarquia pode significar apenas um dado, alerta a professora Sandra.

BELAS DA F - Em Vila Velha, no Esprito Santo, trs amigas fundaram e administram uma igreja desde 2011: nicas pastoras de um templo

Sarah Sheeva  alvo de preconceito at hoje simplesmente por ser uma mulher que constri sua trajetria no meio evanglico sem ser referendada por algum do sexo masculino. Filha de Baby Consuelo e ex-membro da Igreja Celular Internacional, ela se tornou pastora aspirante aos 38 anos, depois de 16 dedicados  denominao. Hoje, aos 40, ela acaba de se mudar do Rio de Janeiro para Goinia. Deixou de ser pastora da igreja local e, em vez de administrar uma igreja, preferiu ser pastora missionria e viajar pelo Brasil para realizar palestras e conferncias em diferentes denominaes evanglicas. Pessoas ficam com um p atrs quando chego. Pensam: Mas  essa jovem que vai trazer a palavra, ministrar um congresso?, diz. Temos de nos esforar duas vezes mais para ganhar a confiana. A missionria Sarah, ex-ninfomanaca assumida e me de uma jovem de 21 anos, tem um canal no YouTube que j foi visto por dois milhes de pessoas. Alguns vdeos nos quais comanda o culto das princesas, uma espcie de pregao misturada  autoajuda, somam 150 mil visualizaes. O que ela fala tem ressonncia tambm no Twitter, onde  seguida por 120 mil pessoas, e no Facebook  sua pgina j recebeu 325 mil curtidas. Muitas so as confisses evanglicas que reconhecem o dom espiritual das mulheres, mas lhes negam um ttulo, como o de pastora. Dizem que no h respaldo na Bblia, afirma a pastora Simone Saiter, 40 anos, da Igreja Viva Praia da Costa. Uma passagem do apstolo Paulo  frequentemente usada por lideranas evanglicas que excluem as mulheres de seus quadros: As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes no  permitido falar; mas estejam submissas como tambm ordena a lei (1Corntios 14:34)

PREPARO - A gacha Margarida tornou-se uma referncia na Igreja Metodista depois de estudar seis anos antes de ser consagrada

O silncio exigido naquela poca, porm, fazia parte de um contexto cultural. Os cristos se reuniam em sinagogas, onde as mulheres no podiam se manifestar. Para evitar atrito com os judeus, eram orientadas a apresentar seus questionamentos em casa, junto dos maridos. Hoje, a realidade  outra. A pastora Simone e duas amigas, casadas e formadas em teologia, resolveram dar voz  palavra que aprofundavam em ncleos de estudo. Decidiram abrir uma igreja evanglica, a Viva Praia da Costa, em Vila Velha, no Esprito Santo, em 2011. As trs so as nicas pastoras da denominao, hoje frequentada por cerca de 100 membros. Uma liderana feminina d credibilidade. Mulher no  vista como exploradora da f, como ocorre com os homens, diz o bispo Hermes C. Fernandes, da Igreja Reina. Instituio com cerca de 120 templos, a Reina tem 40 mulheres entre seus 160 pastores. Uma delas, a carioca Miriam de Lourdes Silva, realiza uma prspera obra  frente de um templo na comunidade de Acari, no Rio de Janeiro. Naquela rea dominada pelo trfico de drogas, Miriam, 48 anos, j converteu cerca de 20 pessoas, segundo suas contas, todas ex-traficantes. Detalhe: nenhum de seus antecessores do sexo masculino conseguiu tal feito. Teve um pastor que gastou R$ 20 mil para blindar a igreja dele. A nossa  blindada pelo Esprito Santo, diz ela.

CORAGEM - Em Acari, uma comunidade dominada por traficantes, a pastora Miriam j ficou no fogo cruzado entre bandidos e a polcia: cerca de 20 ex-traficantes foram convertidos por ela.

Um dos motivos para o aumento do nmero de mulheres no corpo pastoral, segundo o socilogo Ricardo Mariano, da Pontifcia Universidade Catlica (PUC), do Rio Grande do Sul,  o crescente sucesso do movimento gospel, onde as estrelas so as cantoras. Aos 37 anos, Ana Paula Valado  um dos maiores expoentes do gnero no Pas. O movimento gospel colocou no somente homens, mas tambm mulheres em evidncia, diz Ana Paula, que estudou em um seminrio para poder ser consagrada. Algumas cantoras comearam a se destacar nos grupos de louvor e um dos desdobramentos disso foi o reconhecimento da capacidade que a mulher tem para exercer a funo de liderana, inclusive em outras frentes. No  um diploma que faz uma pastora. Esse ttulo se ganha na prtica, com a comprovao da vocao e dos dons espirituais. Mesmo assim, a presena de fiis do sexo feminino em seminrios evanglicos  crescente j h duas dcadas. A porta para o exerccio do pastorado pode no se abrir para boa parte delas. Mas a busca por conhecimento  a melhor forma de forar a maaneta.

PRESENA - Na Igreja Batista da Lagoinha, onde a cantora Ana Paula Valado  pastora, 44,6% do corpo pastoral  composto por mulheres


3. MORTES EM FAMLIA
Em menos de dois meses, quatro tragdias familiares ocorreram na Grande So Paulo. Como explicar esses homicdios?
Natlia Mestre e Andres Vera

Em um perodo de menos de dois meses, a regio metropolitana de So Paulo foi palco da morte de quatro famlias inteiras. Alm do assassinato dos Pesseghini, os PMs que teriam sido executados pelo filho de 13 anos, outras duas tragdias chocam pela brutalidade que  um pai ou uma me ser capaz de tirar a vida do prprio rebento. No incio do ms, na cidade de Cotia, o cabeleireiro Claudinei Pedrotti Jnior, 39 anos, envenenou a mulher, Suelen da Silva, os filhos de 7 e 2 anos e a si prprio. No sbado 14, a polcia se deparou com os corpos das adolescentes Paola Knorr Victorazzo, 13 anos, e Giovanna Knorr Victorazzo, 14, em uma casa no bairro do Butant, na zona oeste. A me delas estava deitada no cho da sala. Muito abalada, Mary Knorr, 53 anos, dizia que havia matado as filhas e que queria morrer. Ela foi levada ao Hospital Universitrio da Universidade de So Paulo (USP), onde permanece internada. Para a investigao no resta dvida: foi a me que assassinou as meninas, diz o delegado responsvel, Gilmar Contrera. Policiais e mdicos ouviram a confisso dela. As meninas morreram asfixiadas. O ltimo caso segue em aberto. A auxiliar de enfermagem Din Vieira Lopes da Silva, 43 anos, e seus quatro filhos foram encontrados sem vida em casa, na tera-feira 17, em Ferraz de Vasconcelos, na Grande So Paulo. H trs linhas de investigao: assassinato cometido pelo namorado de Din, envenenamento e vazamento de gs no apartamento.

 inevitvel tentar entender o que motivou tantas mortes de pessoas da mesma famlia em um perodo to curto de tempo. Embora no haja uma resposta nica, alguns paralelos podem ser traados, segundo especialistas. A psiquiatria  taxativa. No se pode admitir que essas pessoas eram ss. Eram insanos mentais. Quem comete esse tipo de crime costuma ter pr-disposio a atos violentos, diz o psiquiatra forense Guido Palomba. Existem, sim, elementos comuns a todos os casos. H um padro de frustrao extrema, incapacidade de tomar decises e, finalmente, fuga, completa Suely Guimares, doutora em psicologia da Universidade de Braslia (UnB). Os casos espantam porque os possveis distrbios mentais no foram detectados por quem convivia com esses assassinos. Na tragdia dos Pesseghini, por exemplo, at hoje os parentes dos PMs no acreditam que o menino seja o autor dos crimes. No caso do Butant, o pai das adolescentes disse que sua ex-mulher sempre tratou muito bem as filhas. A diarista da famlia tambm descreveu Mary como uma me perfeita e se diz completamente surpresa com os assassinatos.

A maioria dos especialistas defende a ideia de que os autores dos crimes so pessoas que j possuem transtornos  nem sempre diagnosticados  e, influenciados por algum fenmeno externo, como problemas financeiros ou at mesmo uma briga no trnsito, acabam entrando numa espcie de surto. Nos casos do Butant e de Cotia, a falta de dinheiro pode ter sido o gatilho. Segundo a polcia, Mary tem quatro passagens por estelionato e deve cerca de R$ 200 mil. J o cabeleireiro Claudinei era procurado por roubo e, de acordo com o delegado Andreas Schiffmann, estava endividado. O aluguel da casa onde a famlia morava estava atrasado e a energia eltrica cortada por falta de pagamento. Segundo o Boletim de Ocorrncia, um primo relatou  polcia que Claudinei teria dito a uma parente que ia matar a famlia. Na parede da cozinha da casa, a polcia encontrou escrita com lpis de cor a seguinte frase: Deus que me perdoe, no consegui cuidar dos meus filhos, que acredita ser um desabafo do pai. Esses dois casos so exemplo de quando o provedor da famlia que, em um momento de desespero, somado a algum tipo de problema mental ou depresso, resolve desistir de tudo e levar consigo os seus dependentes, explica Guaracy Mingardi, doutor em cincia poltica pela USP e ex-investigador de polcia.

 possvel ainda que haja algum contgio, quando um determinado caso estimula a ocorrncia de outro, especialmente se associado a problemas psiquitricos prvios. Pessoas com tendncia depressiva, em grau variado, so suscetveis a mensagens de crime e suicdio. Elas no so determinantes, mas funcionam como gatilho para aes violentas, diz Suely Guimares, da UnB. Cada caso segue sua lgica independente. Os crimes teriam ocorrido de qualquer maneira. Mas a psiquiatria reconhece que pode haver um efeito cascata. Nesse caso, a notcia de um crime pode, sim, influenciar a pessoa a colocar em prtica um ato violento latente, conclui Palomba.

